

A 2ºa imagem intitula-se «Church and Second Streets, Easton, Pennsylvania», data de 20 de Junho de 1974, e é pessoalmente das imagens mais bonitas que alguma vez vi.




"william eggleston's latest monograph features photographs taken during the early 1970s using a large format 5x7 camera. While the book includes imagery typical of the Eggleston oeuvre streetscapes, parked automobiles, portraits of the strange and disenfranchised, the book also offers never-before-published photographs taken in the nightclubs Eggleston used to frequent.
With it [his camera and portable strobes] Eggleston could shoot in virtual darkness in the juke joints and clubs around Memphis. The portraits are offhand and spontaneous but insistently stark; their brutality is heightened by the absence of color. The portraits have a leveling effectwhether biker or debutante, the people Eggleston photographed are clearly denizens of the same realm. [He] is reminding us: look closely, each of these individuals is subtly different.
-Walter Hopps
Riveting as the sitters accoutrements are, most compelling is the way in which each person is at once magnificently laid bare and vulnerable. . . . Staring, smiling, grimacing, glowering, these are less portraits of individuals than of the expressions that settle þeetingly on their malleable features. Each face feels stranger and more physically ambivalent than the next.
-Johanna Burtxon, Artforum

















Desde pequeno, as fotografias de que gostava mais eram as de paisagem, que via nos atlas, entre dois mapas de geografia.
Fascinavam-me muito particularmente as fotografias em que aparecia, inevitavelmente imóvel, um homenzinho esmagado pelas Cataratas do Niagara, montanhas, rochedos ou enormes salgueiros, palmeiras gigantescas ou então à beira de um precipício. Voltava a encontrar este personagem nos postais que representavam lugares mais menos célebres, empoleirado nos monumentos históricos, perdido nas ruínas do Forum romano ou debaixo da Torre de Pisa.
Este homenzinho vivia num estado de perpétua contemplação do mundo e a sua presença nas imagens conferia-lhes uma atracção especial. Era não só o metro padrão das maravilhas representadas, mas também a unidade de medida humana que me restituía o sentimento do espaço; em todo o caso, eu via-o assim, e pensava, por intermédio dele, que compreendia o mundo e o espaço.
Também gostava da ideia de que o fotógrafo nunca estava sozinho nestes lugares, mas que tinha sempre à disposição um amigo ou um conhecido com quem atravessava o mundo, ou o descobria, ou o representava. Nunca consegui ver de facto um, conferir-lhe uma identidade: o homenzinho era sempre um desconhecido para mim, mas acompanhava-me aos lugares mais desconhecidos e mais extraordinários que ele próprio via, contemplava, media.
Quando mais tarde comecei a fotografar, continuei a olhar para fotografias de paisagem, mas nunca mais encontrei o homenzinho. Sucediam-se fundos, cenários e espaços soberbos, mas cada vez mais desertos e mais incompreensíveis, desfazendo-se em pedaços e multiplicando-se de uma forma cada vez mais vertiginosa. Tudo isso me parecia inabitável, mais exactamente, os lugares tinham desaparecido e restavam esplêndidos cenários a preto e branco ou en technicolor, e o homenzinho já não estava lá; tinha-se ido embora, levando consigo a representação dos lugares e deixando-nos o seu simulacro."
Luigi Ghirri in Paesaggio Italiano, 1989