Sunday, September 23, 2007

Exposição "Antimonumentos"


untitled from the series «Far, Far East» (work-in-progress)

Encontra-se a decorrer a exposição "Antimonumentos", comissariada por Miguel von Hafe Pérez na galeria António Henriques em Viseu. Nesta exposição colectiva, estão presentes 7 imagens novas da série «Far, Far East». É uma exposição cuja visita recomendo vivamente. No site da galeria podem encontrar imagens dos trabalhos em exposição.

"Antimonumentos"
comissariada por Miguel von Hafe Pérez
galeria António Henriques, Viseu

de 15-09-07 a 20-10-07


Saturday, September 22, 2007

back in london and back to work


Estou de volta a Londres depois de mais de 2 meses de viagem pela China e um mês em Portugal.
Da viagem pela China resultaram imagens que irão fazer parte do corpo de trabalho que irei desenvolver ao longo deste ano. Este trabalho faz parte de uma trilogia sobre o Oriente que pretendo desenvolver nos próximos 4 anos. A 1ª parte terá lugar na China, a 2ª no Japão e a 3ª na Coreia do Sul.
Fica aqui a primeira imagem que digitalizei.

Wednesday, August 29, 2007

livro já disponível para venda


A minha primeira monografia tem data prevista de lançamento a 20 de Outubro na galeria MCO, no Porto. Porém pode já ser encomendada em Portugal directamente através de um contacto por email. O custo da publicação é de 20€ mais custos de envio em envelope registado de 5 euros. O envio pode ser à cobrança ou por transfererência bancária. Quem estiver interessado num exemplar, poderá contactar-me directamente pelo meu email: carlosafonsolobo@gmail.com



Saturday, June 02, 2007

livro Unknown Landscapes


É com grande satisfação que apresento a minha primeira monografia. Após um projecto de três anos a fotografar para esta série e mais de seis meses a desenhar e a editar as imagens, tenho em mãos o primeiro exemplar do livro acabado de chegar da gráfica.
Editado pela Chromma, o livro tem 48 fotografias, 96 páginas e textos de Miguel von Hafe Pérez e Ian Jeffrey. O design é de Helder Luís e foi impresso em Portugal na Norprint.

Ainda não tenho uma data prevista para o lançamento, mas como vou estar em viagem nos próximos 3 meses, a data provável será em fins de Setembro.
Para mais informações, podem contactar-me directamente.

Thursday, May 24, 2007

Exposição na galeria Solar


«swimming pool» da série Imaginary Film Sets
© carlos lobo


Inaugura este Sábado pelas 18:00h uma nova exposição minha em conjunto com o João Leal. A exposição terá lugar na galeria de Arte Cinemática Solar, em Vila do Conde. Nesta exposição cujos trabalhos foram criados especificamente para este espaço, irei apresentar trabalhos novos em fotografia, vídeo e instalação. Fica aqui o convite a aparecerem.

Thursday, May 17, 2007

Saul Leiter


© 1959, Saul Leiter


© 1960, Saul Leiter

Quando falamos de autores que recorreram ao uso da cor na fotografia, é normal associarmos nomes como William Eggleston ou Stephen Shore. Mas, como é óbvio, já outros autores faziam uso dos filmes de cor disponiveis comercialmente quer para os profissionais, quer para os designados amadores. Autores como Luigi Ghirri (de quem falei num dos primeiros posts que fiz) e Saul Leiter entre outros.
A Steidl editou muito recentemente um excelente e muito recomendável livro sobre o trabalho a cor de Leiter, intitulado Early Color.

Deixo um pequeno texto em inglês que recolhi de vários sites.

Saul Leiter began his adult life studying at the Cleveland Theological College, but eventually moved to New York to work as a painter. There he began taking pictures, working with 35mm colour on the streets of New York in the late 1940s. Leiter’s work was exhibited by Edward Steichen at the Museum of Modern Art just a few years later, in 1953.

Leiter’s color work was virtually unmatched during the 1940s and 1950s. His improvisational, spontaneous street approach found him floating from one beautiful, often somewhat abstract image to another. This seems a perfect match for the be-bop rhythm of the New York City of his time.

Though he continued to paint, exhibiting alongside Philip Guston and Willem de Kooning, Leiter’s camera became — like an extension of his arm and mind — an ever-present interpreter of life in the metropolis.

Although Edward Steichen exhibited some of Saul Leiter’s color photographs at the Museum of Modern Art in 1953, for forty years afterwards they remained virtually unknown to the art world. Saul Leiter: Early Color provides the first opportunity to see a comprehensive presentation of images by one of photography’s great originals.

Tuesday, May 15, 2007

CPF

Recebi hoje este email que passo a reproduzir:

Queria informar- vos de que tudo o que nós previmos que aconteceria
está a acontecer. E muito rapidamente.

1 - Foi aprovado finalmente há algumas semanas o diploma que regula a
Direcção Geral dos Arquivos que, como sabem, na nova estrutura do MC
integra o CPF. Ao CPF são atribuídas funções apenas na área dos
Arquivos. A ministra foi afirmando, sempre que questionada, que nada
mudaria, que o CPF manteria toda a sua identidade. MENTIU! Aliás era
óbvio que estava a mentir. Mentiu agora, como mentira antes durante a
campanha eleitoral, ao visitar o CPF e dar todo o seu apoio ao CPF,
contra a política do anterior governo.

2 - Como consequência da aprovação do diploma que rege a DGA, o CPF
entrou nessa altura em gestão corrente. À espera da nomeação de uma
nova direcção.

3 - Tal não impediu a ministra de uma intervenção pessoal junto da
directora do CPF, para garantir a realização da exposição que é
mostrada no CPF neste momento! Lá teria as suas razões...

4 - Mas na última 2ª feira, um telefonema seco de um funcionário do
Ministério da Cultura informou a Teresa Siza de que não precisava de
volta ao CPF, na 4ª feira. Hoje portanto! Assim! E pediram-lhe para
informar as outras pessoas que com ela saíam. Desta vez a ministra
'esqueceu-se' do número de telefone da Directora do CPF e não foi
capaz de ter uma atitude, no mínimo de boa educação, e de falar com
ela pessoalmente.

5 - Entretanto a indefinição sobre o futuro do CPF e das pessoas que
lá trabalham continua. Golpe a golpe o CPF é esvaziado de conteúdo,
enquanto nós parecemos ser incapazes de reagir.

por Renato Roque


É triste o que se passa com a cultura no nosso país.

Wednesday, May 09, 2007

Stephen Shore e o CPF


Room 316, Howard Johnson’s. Battle Creek, Michigan, July 6, 1973 © Stephen Shore



Self-portrait, New York, March 20, 1976 © Stephen Shore


Está a decorrer em Nova Iorque uma exposição de Stephen Shore.

11 de Maio a 9 de Setembro , 2007
The International Center of Photography
1133 Avenue of the Americas
New York, NY

Deixo também um link para uma entrevista de Shore na Newsweek sobre esta exposição. Relembro que Stephen Shore aos catorze anos vendeu as primeiras fotografias ao Museum of Modern Art (MOMA). Pergunto-me se isto seria possível em Portugal nos anos setenta ou mesmo agora, quando um museu como o CPF está em vias de fechar... Os puristas da fotografia tremem só de pensar na possibilidade de um adolescente de catorze anos estar representado na colecção de um museu mas não tremem perante a possibilidade de uma instituição única como o CPF estar condenada ao encerramento. Isto explica em parte a pobreza da história e da cultura visual em Portugal. Salazar tem realmente umas costas muito grandes para arcar com todas as responsabilidades. Ou talvez a culpa seja do D. Sebastião...
Apetece dizer: em Portugal inaugura-se um novo centro comercial e encerra-se um centro cultural.


Sunday, April 29, 2007

photobooks



Sou apaixonado por livros de fotografia. A maior parte dos autores que conheço, conheci-os primeiro através das impressões em livros e só depois em alguns casos em exposições. Há autores que nunca vi uma única prova embora conheça várias séries (Paul Graham, por exemplo).

Ultimamente tenho andado ocupado a preparar a edição do meu primeiro livro e como tal, tenho consultado vários livros, a tentar perceber o ritmo e a organização das imagens. Robert Frank, por exemplo, é exímio na edição das suas imagens, não se coibindo de deixar uma imagem mais forte de lado em favor da coerência do seu projecto.
Um outro autor cujos livros aprecio imenso é Alec Soth. O primeiro livro que comprei de Soth intitula-se Sleeping by the Mississippi e é um trabalho bastante poético quer sobre as diferentes localidades nas redondezas do Mississippi mas também sobre diferentes pessoas que Soth encontra na sua viagem.
Deixo uma imagem da maqueta que Soth produziu desse livro, que posteriormente viria a ser editado pela Steidl.
Também eu estou na fase da maqueta do meu livro «Unknown Landscapes».

Saturday, April 28, 2007

Joachim Schmid


Joachim Schmid, from «
Bilder von der Strasse»



Joachim Schmid, from «Photogenetic Drafts»



Joachim Schmid, from «Very Miscellaneous series»


Está presente na Photographers Gallery em Londres a exposição do "fotógrafo" alemão Joachim Schmid. Os parêntesis justificam-se pois Schmid não se considera um fotógrafo e raramente utiliza fotografias que ele próprio tira. O trabalho de Schmid é sim uma reciclagem de fotografias de outras pessoas, e quando digo reciclagem, é disso mesmo que se trata: entre vários trabalhos expostos, Schmid expõe uma série de imagens que encontrou em diferentes cidades (Bilder von der Strasse, série que inicia em1982 e que continua até ao presente), imagens consideradas sem qualquer valor pelos seus antigos donos e por isso mesmo descartadas, rasgadas ou riscadas. Tudo isso interessa ao autor, a razão pela qual uma imagem não é considerada satisfatória ou perdeu o seu valor utilitário (existem várias fotografias tipo passe nesta exposição). Noutras séries também expostas, Schmid trabalha a partir dos negativos ou arquivos de outros fotógrafos para construir uma nova leitura dos mesmos.
Penso que o trabalho de Schmid é acima de tudo sobre Fotografia, sobre as suas múltiplas funções, quer como forma de arte, quer como meio de preservação da memória ou mesmo como elemento identificativo. Por vezes, a história da fotografia remete-nos unicamente para o seu valor artístico mas a Fotografia como ciência e disciplina é muito mais pluridisciplinar e rica. A exposição de Schmid é uma forma de comprovarmos isso mesmo.
Recomendo vivamente o catálogo editado pela Steidl sobre esta retrospectiva, com textos muito interessantes de vários autores como Joan Fontcuberta, também ele um utilizador subversivo da fotografia.


Thursday, April 19, 2007

livro unknown landscapes

O blog tem estado parado pois encontro-me em Portugal a produzir o meu primeiro livro, que conto ter finalizado em Maio. Para a semana voltarei a retomar os posts.

Sunday, April 01, 2007

pares


Todd Hido «Untitled #2314-C» 2002
colour print



Tim Gardner «Untitled (Grey Sky)» 2006
watercolour on paper


Dois trabalhos com semelhanças cromáticas e temáticas, mas em suportes diferentes. Desconheço se Tim Gardner pinta a partir de fotografias, mas os seus desenhos são belas fotografias. Mais trabalhos de Tim Gardner aqui.

Todd Hido por sua vez é um fotógrafo cuja excelente monografia de 2005 intitulada Roaming, publicada pela Nazraeli Press tem imensas fotografias que remetem para pintura, principalmente por Todd Hido fotografar paisagens a partir do interior do seu carro em dias chuvosos, criando um desfoque e uma paleta de cores que remete para a pintura de paisagem.
Fica o link para o site de Todd Hido.

do you believe in the rapture


Link para um excelente vídeo novo dos Sonic Youth realizado por Braden King. O vídeo é uma homenagem à mítica sala de concertos CBGB, recentemente extinta. Este vídeo está também seleccionado para a próxima edição do Indie Lisboa.


Saturday, March 31, 2007

Paul Graham




Paul Graham é um dos meus fotógrafos de eleição. Adquiri recentemente duas excelentes publicações da sua autoria:

Empty Heaven e End of an Age.

São dois trabalhos editados pela extinta Scalo, e impressos pela Steidl, daí que a qualidade das reproduções seja imaculada.
Paul Graham não é um fotógrafo "fácil", no sentido em que as suas imagens são construídas de modo a que a leitura não seja imediata, sendo o sentido delas o resultado da sequência das imagens e do contexto em que foram produzidas. Graham preocupa-se com questões que tanto podem ser políticas (o seu trabalho na Irlanda intitulado Troubled Land é um bom exemplo disso) como a forma como lidamos com a nossa memória do passado.

"From 1988-1992 I was travelling around Western Europe, and became interested in the weight that the past exerts on each society, the burden of history if you like, and how this entwines with daily life - this became a major theme of my work New Europe. These concerns were developed when I travelled through Japan, a society which has a traumatic recent history, to say the least, yet on the surface seemed to reflect a huge collective amnesia. This provoked questions about wrapping, or masking of history and power, and how this is woven into the fabric of conscious and subconscious Japan" Paul Graham

O seguinte link tem um artigo bastante interessante sobre Paul Graham.

"Photography is a medium with a unique and particular link to reality. Previously there was no problem about this, the world was out there, and you simply had to put your camera over your shoulder and go out with an open heart and head to observe this reality. This was the 'old consciousness' if you like. The problem is that over the past two decades our perception of reality has changed from something 'out there' to something 'within us', a blend of external, internal, past and present stimuli, personal and collective beliefs, mediated and original ideas..."

Fica também um link para uma entrevista a Graham a propósito da exposição Cruel and Tender na Tate Modern.


Stephen Shore



Ontem assisti a uma conferência de Stephen Shore, cujo trabalho aprecio bastante. Quem teve a oportunidade de assistir à conferência de Stephen Shore na Gulbenkian o ano passado, pode comprovar a experiência de Shore como conferenciasta, talvez fruto dos seus longos anos de trabalho, quer como fotógrafo, quer como professor e coordenador do curso de fotografia no bard college em Nova Iorque. Ao ver um curto resumo da carreira de Shore durante a conferência, fiquei a pensar por que razão o trabalho de Shore não é tão divulgado e reconhecido. Apesar de a importância da sua obra ser reconhecida pela maioria dos fotógrafos contemporâneos, Shore nunca foi alvo de grandes retrospectivas nos principais museus. Quando questionado por um membro da assistência, se ainda se preocupava com o seu lugar no mercado artístico, este fez uma pausa (Shore nunca responde de imediato, pondera cada resposta por alguns segundos) e diz que embora não ignore o mercado artístico, tem a perfeita noção de que as opções que tomou não facilitaram a sua aceitação no mercado artístico; diz ainda que se quisesse vender mais, teria continuado a trabalhar com a máquina 8x10, o que lhe permitiria fazer grandes ampliações fotográficas (tão em voga no mercado da fotografia contemporânea). Mas não foi essa a sua opção.
O caso do Stephen Shore é mais um exemplo do que o mercado da arte por vezes não é a melhor forma de avaliar a importância da obra de determinados autores, mas sim quais os autores cuja obra sofreram maior especulação e maior visibilidade artística. Não me parece que isto seja uma grande novidade...

Thursday, March 29, 2007

capas dos Sonic Youth


fotografia e música


Eugene Smith «From my Window, I Sometimes Glance»
1957-1958


Os Sonic Youth usam imagens de outros artistas para as suas capas e, por sua vez, também eles são usados por outros artistas, para promover o seu trabalho. A influência entre as mais variadas artes é bastante rica e enriquecedora. Lembro-me por exemplo de W. EUGENE SMITH, que numa fase posterior do seu trabalho, se fechou no seu estúdio a imprimir fotografias e a ouvir discos antigos de Jazz e a fotografar unicamente o que via através da sua janela. Não sei como, mas faz tudo sentido...


Raymond Pettibon


William Eggleston




Raymond Pettibon


Existem associações visuais que me parecem pertinentes, mesmo quando são fruto do mero acaso. Neste caso, não sei se Raymond Pettibon fez o seu desenho a partir da fotografia do Eggleston, ou se simplesmente o modelo da lâmpada é tão universal que se repetem os motivos.
Conheço o trabalho de Pettibon da excelente capa do disco Goo dos Sonic Youth, que ainda hoje me parece uma das melhores capas de discos que já vi. Os Sonic Youth costumam ilustrar os seus discos com obras de artistas; por exemplo, a capa de um outro disco, Daydream Nation, é um quadro de Gerhard Richter.

As capas estão no post seguinte.



Wednesday, March 28, 2007

Bernd and Hilla Becher


Pediram-me há tempos para contar algumas das histórias que ouvi durante o curso de fotografia do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística, o qual tive a oportunidade de frequentar. Foram imensas as histórias partilhadas pelos tutores do curso mas uma em especial ficou-me na memória. Não consigo ser preciso em todos os detalhes mas aqui fica.

O casal Becher costuma viajar durante um período do ano à procura dos seus temas, de modo a poderem construir as suas topologias, quer vão de estruturas industriais a depósitos de água, etc. Nas suas viagens recorrem muitas vezes a velhos mapas tipo Michelin, onde por vezes existem indicações da existência de parques industriais, por exemplo, ou noutros casos deslocam-se de localidade em localidade e, através da memória dos habitantes locais, conseguem as indicações para encontrar outras estruturas que não estão datadas.

Numa dessas viagens por uma localidade rural, não sei agora se em França ou na Alemanha, depararam-se com um velho depósito de água numa propriedade. Apresentaram-se ao proprietário da casa, explicaram-lhe o seu trabalho e tiveram autorização para fazer a fotografia. Mas ao aproximarem-se do depósito de água, apercebem-se de que não conseguiriam ter o melhor ponto de tomada de vista da imagem (a colocação da câmara tem de obedecer a um rigoroso plano de tomada de vista, na maioria dos casos, frontal, para a estrutura topológica dos seus trabalhos resultar): havia um conjunto de pequenas árvores que bloqueavam parte da estrutura. Voltam a falar com o dono da casa e explicam-lhe a situação. Com o seu consentimento, encontram uma solução: cortar as árvores. Importa aqui realçar que os Becher não trabalham com assistentes e não são propriamente um casal novo, mas sim já com alguma idade. Assim, para a tomada de uma única fotografia, Bernd Becher passa o dia a cortar as árvores que obstruíam a estrutura para construir uma única imagem.

Acho esta história é significativa para melhor entender a forma séria e dedicada de trabalhar dos Bechers. Por vezes as melhores imagens não se encontram por mero acaso mas há que ir à procura delas. E mesmo quando as encontramos, há que saber contornar os eventuais obstáculos que se colocam aquando da tomada de uma imagem, sejam umas "simples" àrvores, seja todo o manancial de referências visuais que por vezes nos toldam a mente.

Há ocasiões em que a prática fotográfica não é tão literal como o anúncio da Kodak: Just point and shoot, and we'll do the rest.

Thursday, March 22, 2007

Hannah Starkey




Vi há pouco tempo uma exposição da Hannah Starkey na galeria Maureen Paley em Londres. Starkey encena todas as suas imagens e o seu trabalho versa sempre o universo feminino. Esta exposição apresentava trabalhos novos que podem ser consultados no site da galeria.

www.maureenpaley.com

No entanto, há um grupo de imagens de Hannah Starkey que me ficaram na mente desde o momento em que as vi pela primeira vez. É um conjunto de imagens que a autora realizou em 1999 (os títulos das imagens são sempe as datas em que são realizadas) sobre adolescentes. Existe uma espécie de tempo suspenso nestas duas imagens que me fascina. A narrativa das imagens é completamente aberta, o que nos permite as mais variadas interpretações sobre as relações entre as personagens e o espaço físico da imagem. Um outro factor bastante importante é o facto das imagens, apesar de encenadas, manterem uma estética de snapshot, como se o momento que estamos a presenciar fosse algo fortuíto, um acaso feliz. Não há aqui instantes decisivos bressonianos mas sim encenações decisivas.